Comer compulsivo: a terapia ajuda a entender gatilhos e criar uma relação saudável com a comida

Karla Milena Bornelli

9/3/20252 min read

O comer compulsivo não é simplesmente uma questão de “força de vontade”. Muitas vezes, esse comportamento está ligado a gatilhos emocionais, pensamentos automáticos e padrões que se repetem sem que a pessoa perceba. Enfrentar essa questão exige mais do que tentar resistir ao impulso: envolve compreender suas origens, desenvolver estratégias saudáveis e aprender a lidar com emoções difíceis de uma forma diferente.

Quem já passou por episódios de compulsão alimentar sabe como pode ser doloroso: a vontade intensa surge, seguida pelo excesso na alimentação, que logo dá lugar à culpa e à sensação de estar preso em um ciclo difícil de quebrar.

A boa notícia é que, com o apoio terapêutico, é possível interromper esse padrão e construir uma relação mais equilibrada com a comida.

Estratégias que podem ajudar

Na psicoterapia, especialmente com a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), trabalhamos com técnicas práticas que ajudam a fortalecer a autonomia e criar novos caminhos. Entre elas, destacam-se:

1. Monitoramento de comportamentos

Registrar quando, onde e por que os episódios ocorrem ajuda a identificar padrões e gatilhos emocionais. Esse exercício aumenta a consciência sobre o comportamento e abre espaço para mudanças.

2. Exposição a sensações corporais

Permitir-se sentir fome leve e aprender a lidar com essa sensação sem recorrer à compulsão ajuda a reduzir a ansiedade que costuma levar ao excesso.

3. Planejamento de refeições

Ter horários e cardápios estruturados diminui a chance de fome extrema e evita picos de compulsão. Refeições e lanches regulares mantêm o corpo nutrido e estável.

4. Diário de pensamentos e emoções

Registrar o que se sente antes, durante e depois de comer amplia a percepção sobre como emoções influenciam o comportamento alimentar. Isso possibilita criar novas respostas e quebrar o ciclo automático.

O papel da terapia

A terapia não busca “controlar tudo”, mas sim oferecer ferramentas para que a pessoa fortaleça sua autonomia, faça escolhas conscientes e viva com mais equilíbrio. É um processo que envolve acolhimento, aprendizado e prática, em que cada pequeno passo já representa um avanço significativo.

Ao aprender a lidar com os gatilhos e a transformar a relação com a comida, é possível conquistar mais leveza emocional e um vínculo mais saudável com a alimentação.

Você já tentou alguma dessas estratégias? Que tal dar o primeiro passo para construir uma nova relação com a comida e consigo mesma?

Karla Milena Bornelli
Psicóloga Clínica | CRP 08/45303
@psico.karlamilena
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